segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Dolo

PWN, 20 de Dezembro de 2017

Tenho medo.
Você está morrendo aos poucos a cada dia dentro de mim. Ou melhor, estão matando você a cada dia.
Isso é uma espécie de homicídio não tipificado no código penal. Mas, tem todos os elementos de um crime, inclusive o dolo!
E eis me aqui: refém do tempo e da distância, do silêncio e da maldade.
Sinto sua ausência, mas não como antes.
Ainda sinto seu cheiro quando fecho os olhos e sonho com você, mesmo antes de dormir.
O tempo destrói todas as coisas, até mesmo colunas de mármore. Imagina, corações de cera!
E eu tenho tanto medo!

Gilvânia Souza.

Véspera de Natal

É véspera de natal.
A casa vazia. A alegria encolhida atrás da porta do banheiro. Sinto-me sozinha.
Penso em você.
O mundo é dos pares. Sou ímpar.
Não tenho lugar.
Tento pensar em outras coisas, mas o pisca-pisca intermitente diante da sacada não me deixa concentrar.
E além de tudo tem você.
E seu silêncio.
Seu sumiço diplomático.
Não sei dizer amém para a crueldade impune.
Esqueço-me de que é natal, ou quase.
Mas, agora já é tarde.

Gilvânia Souza.

Natal

 PWN,  25 de Dezembro de 2017

Hoje eu parti
: sem nem ao menos ter chegado.


Gilvânia Souza

Portas do sol


O tempo destrói todas as coisas

: os amores
: as lembranças

- está destruindo você.

Gilvânia Souza

Cartas a um desconhecido

PWN, Dezembro de 2017
Oi!
As coisas por aqui andam complicadas. Já escrevi cartas ( que ninguém irá ler), crônicas, poemas. Tudo em vão.
O silêncio incomoda muito.
O tempo está matando você aos poucos.Diria até que é uma espécie de homicídio lento, no entanto, real.
Durante as primeiras semanas achei que daria notícias. 
Sempre acreditei que quando queremos uma coisa, damos um jeito de conseguir. A esperança morreu faz tempo.
Só espero que esteja bem. E como não encontro explicação para seu silêncio, comecei a esquecê-lo. Mas, é difícil porque volta e meia alguma coisa me faz lembrar você. Hoje sei: fazia parte da minha vida.

Gilvânia Souza.

Embriaguez


A noite traz você pra mim
: seu cheiro
:seu toque
A brisa penetra a janela
E se apossa do meu corpo
:em sua nudez
- arrepio na alma
Começo da humana insensatez!

Gilvânia Souza

Delírio

Sabe
você nunca existiu.
Descobri inverdades
:ignorei
Percebi sua arrogância
: fechei os olhos
Exerceu a arte de manipular
:escolhi esquecer.
Alterou a voz e a paciência
: calei.
Disse-me que o obrigaram a se calar
:escolheu me ignorar
Eu criei uma obra de arte
- você destruiu o rascunho!

Gilvânia Souza.


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